Carlos Nougué
Não é que, recentemente, alguns ilustres “teólogos” olavetes
passaram a referir o livro La liberté religieuse et la Tradition Catholique,
do Fr. Basile O.S.B., que busca fundar a doutrina claramente herética do CVII
sobre a liberdade religiosa na tradição da Igreja e especialmente em S. Tomás?
Esse frade é (ou era) do mosteiro beneditino do Barroux, e seu livro,
pretensamente muito erudito, tem a bagatela de 2.960 páginas. Parabéns, antes
de tudo, a tais “teólogos” olavetes por o terem conseguido ler... Sucede,
depois, todavia, que o Fr. Jehan, outro monge e sacerdote do mesmo mosteiro,
publicaria em 2004 um memorial de Direito Canônico em que prova que a tese do
Fr. Basile padece de um vício fatal: falsifica radicalmente a doutrina de S.
Tomás sobre o Direito. “Apenas” isto! – Mas o que tão doutos “teólogos”
olavetes nem sequer referem é que, se se trata de tradicionalismo mais profundo,
antes de acusar o CVII e seus papas de cometer heresias, é preciso provar que
segundo eles mesmos sua autoridade DOUTRINAL é nula, sem o que faltaríamos com a devida docilidade ao magistério da Igreja. (Diga-se, aliás, que os
tradicionalistas que desconhecem isso contribuem, ainda que involuntariamente,
para a confusão generalizada quanto a este árduo assunto.) Desafiei um de tais “teólogos”
a que respondesse por escrito a meu opúsculo “As Diversas Correntes na Igreja
Atual” (https://www.estudostomistas.com.br/.../as-diversas...)
e a meu livro Do Papa Herético, nos quais mostro precisamente a nulidade
doutrinal do magistério conciliar segundo ele mesmo. Continuo esperando-o,
sentado... Mas, mais que a mim, desafio esses “teólogos” capazes de ler 3 mil
páginas de um só livro a responder à segunda edição ampliadíssima (e com tradução minha e de Danilo Rehem) de A
Candeia Debaixo do Alqueire, do Padre Álvaro Calderón, cuja pré-venda, segundo a editora Castela – alvíssaras! –, provavelmente começará ainda em outubro. Foi o Padre Calderón, o maior teólogo vivo (e muito
mais), quem resolveu o enigma do CVII e do magistério conciliar, sem todavia
perder a docilidade devida ao magistério da Igreja. Mãos à obra, portanto, senhores
“teólogos” olavetes. Fico ainda esperando sentado, mas agora numa cadeira de
balanço.